23 março 2021

SEU GATINHO BEBE ÁGUA O SUFICIENTE?




Para iniciar o assunto, precisamos voltar um pouco no tempo, vocês já entenderão o porquê!
Sabiam que há indícios de que os cães foram domesticados há aproximadamente 500 mil anos, ainda na era glacial?

Enquanto que os gatos ainda intrigam os historiadores que ainda não chegaram em um consenso. Os registros mais antigos datam a domesticação felina há aproximadamente 10 mil anos. 

Comparando com os cães, tudo ocorreu há pouquíssimo tempo, fazendo com que o instinto selvagem se mantenha muito presente nos nossos bichanos.

Depois disso tudo, você deve estar se perguntando onde quero chegar com isso, certo?

Na natureza, um dos momentos que o animal fica mais vulnerável é ao beber água. Segue meu raciocínio… Eles precisam ficar em um ambiente aberto, pois estarão na beira de um rio, lago, etc.

Outros predadores poderão estar à espreita escondidos na mata ao redor. Além disso, há “inimigos” escondidos dentro da água, como crocodilos. 

Levando isso em consideração, sugiro a vocês a começarem a prestar atenção na expressão corporal do seu gatinho ao beber água.

As orelhas sempre voltadas para o lado para não deixar de perceber nenhum barulho, olhos sempre atentos, e a qualquer momento já desistem de beber. 

Agora, chego ao segundo ponto dessa conversa toda. Garanto que vocês já devem ter pensado que é balela esse papo de fonte de água. Vou explicar a importância e espero que vocês mudem de opinião. 

Voltando a natureza, água parada geralmente não está em condições ideais para beber, podem estar contaminadas, por exemplo.

A preferência sempre será locais onde a água está corrente, ou seja, sempre fresca, como em rios. 

Para nossos gatinhos que ainda tem esse instinto selvagem, vocês acham que eles vão preferir a água do bebedouro comum ou de uma fonte que pra eles está sempre com água fresca? E ainda faz o barulhinho da água corrente. Consegui convencer vocês? 

Manter seu gatinho com interesse em beber água é de extrema importância para manter uma boa saúde, bem hidratados, evitando sérios problemas no sistema urinário, por exemplo, doença renal crônica e cálculos (pedras).

Última parte do assunto e não menos importante. Devemos sempre deixar o potinho de água e o de comida distantes um do outro.

Por quê? Voltamos a natureza (risos), se há uma carcaça – comida – próximo ao rio, ela contaminará a água, não estará potável. 

No entendimento do nosso gatinho, se deixarmos o potinho de ração próximo ao de água, o comedouro contaminará o bebedouro. Seu gato vai beber menos, podendo levar a uma desidratação. 

Gatos não tem costume de beber água, pois quando ainda na natureza, caçariam uma pequena presa e comeriam inteira, de certa forma, estariam ingerindo a água do corpo dessa presa. Após explicar todos esses pontos importantes, reforço a importância de estimular o seu gato! 

Aqui vai algumas dicas: espalhar potes de água pela casa, ideal em locais mais silenciosos (longe da máquina de lavar, por exemplo) e onde haja menor fluxo de pessoas, ter uma fonte de água, manter sempre limpa e fresca, longe dos comedouros e também das caixas de areia, afinal, ninguém bebe/come no banheiro né?

Eles também não. E por último, mas não menos importante, fornecer sachês – ração úmida – ao menos 1x ao dia, pois ela possui mais água e também ajuda a hidratar. 

Sei que o texto ficou longo, mas espero que tenha ajudado a esclarecer algumas dúvidas. Abraço, Mai.

LEIA MAIS

16 março 2021

SAÚDE BUCAL DOS NOSSOS GATINHOS



Talvez alguns tutores não saibam, mas a saúde bucal dos nossos pets tem muita influência tanto na qualidade quanto na expectativa de vida deles. E isso vale também para nós, humanos, sabia?

Na nossa rotina veterinária, as doenças periodontais são muito mais comuns do que provavelmente a maioria pensa. E com isso, a boca dos gatinhos acaba sendo negligenciada pela falta de informação. Então, esse foi assunto escolhido da vez!

Recentemente, tivemos um ocorrido com nosso Afonsinho, ele foi resgatado em setembro 2020 e 3 semanas depois, encontrei ele babando enquanto dormia, o que pode ser algo atípico em gatos. Além de estar com secreção um pouco purulenta em um dos olhos.

A princípio, não dei muita atenção, mas passados uns dois dias, ele começou a ter dificuldade para comer e apreender os grãos de ração. Voltei a examinar a boca dele e percebi que o canino (presa) superior direito estava com a gengiva bem vermelha e ele se incomodava muito enquanto examinava, indicando que estava com dor.

Imediatamente liguei para minha amiga, também médica veterinária (MV) e marcamos com urgência uma profilaxia dentária (limpeza de tártaro) com possível extração desse dente. No dia seguinte, foi realizado o procedimento juntamente com a retirada deste dente (figura 01), confirmando que este canino estava bem infeccionado e até com presença de pus no alvéolo (o “buraco onde o dente fica”).

 



Figura 01. Dente canino extraído do Afonsinho. Secreção sanguinolenta com presença de pus. Fonte: arquivo pessoal.

 

Pode até parecer exagero ter feito tudo tão corrido, mas caso tivesse demorado, com toda certeza nosso Afonsinho ia parar de comer por causa da dor e isso agravaria o caso, tornando-se uma urgência.

Quando os gatinhos não comem por mais de 24h, o alerta vermelho deve ser acionado!

Vou explicar de uma forma simples o que acontece: em jejum prolongado, o metabolismo dos felinos “mobiliza a gordura” presente no fígado para compensar a falta de nutrientes, levando a um quadro que chamamos de lipidose hepática, que seria como uma “inflamação do fígado”. A lipidose não é uma doença e sim, um sinal clínico de que algo não está indo bem e o tratamento disso, é descobrir a causa e voltar a alimentar corretamente esse paciente. Caso isso não aconteça, há grandes chances desse gatinho ir a óbito! Por isso agi com o Afonso como uma urgência, pois quanto mais rápido resolvido o problema (nesse caso, a remoção do dente e limpeza de tártaro), menor será as complicações. Lembrem-se disso!

Se o seu gatinho parar de correr, ele precisa de atendimento veterinária o quanto antes!

Quando pensamos nessa afecção, a estimativa é de que em torno de 50% dos gatinhos apresentem algum grau de doença periodontal a partir de um ano de idade. Porém, alguns podem começar a ter problemas bucais ainda mais jovens (com menos de um ano), assim que ocorre a troca de dentição.

A troca dos dentinhos de leite para os permanentes, inicia entre 6 a 8 meses de idade!

Geralmente, a enfermidade pode iniciar com cálculos dentários (tártaro), fazendo com que a gengiva comece a inflamar (gengivite), aumentando a presença de bactérias que facilita as infecções e conforme vai agravando, desencadeia as reabsorções dentárias levando a perda de dentes, até infecções em órgãos importante, como o coração. Como no caso do Afonso foi feito o tratamento bem no início da doença, o quadro não evoluiu para algo mais grave.

Vale lembrar que as bactérias, ao cair na corrente sanguínea, podem atingir qualquer lugar do corpo, mas geralmente elas irão nos “órgãos alvo”, que são os mais importantes, como coração, pulmões e rins.

A queixa mais comum dos tutores é a halitose, ou seja, mau hálito. Nesse caso, o MV deverá investigar e descobrir a causa. Há presença de reabsorção dentária? Houve algum trauma que quebrou algum dente? Esse gatinho é positivo para algum vírus como FIV e/ou FeLV? (caso ainda não saiba o que são essas duas doenças, clique aqui para ler o post completo), há problemas respiratórios, diabetes, vômitos recorrentes? Notou dificuldade para comer e/ou beber? Entre outras suspeitas a serem descartadas.

Ainda há ainda alguns fatores do próprio animal que também influencia e devem ser investigados, são esses: idade, raça, genética, sistema imune, tipo de dieta/alimentação e anatomia da arcada dentária (“mordida” errada, por ex.).

Além da halitose, poderá haver a presença de sangue na escova de dentes após a escovação ou nos brinquedos e na comida, mucosa com cor diferente do normal (mais vermelha ou arroxeada), salivação sanguinolenta, dificuldade para comer e beber, corrimento nasal pus, anorexia e prostração.

Em casos mais graves, pode ocorrer até mesmo a absorção dos ossos da face, levando a infecção generalizada (sepse) e pode também, aumentar a chance de neoplasias orais. Percebem o quanto algo que parece “simples” pode diminuir a qualidade de vida e até mesmo, a expectativa de vida do seu gatinho?

Depois de toda essa informação, por onde podemos começar o tratamento? Caaalma, que eu explico! Vamos lá!

Quando a doença periodontal já está instalada, a profilaxia dentária (limpeza de tártaro) é o ideal, lembrando que juntamente com a escovação diária, esta é a melhor forma de prevenção dessa afecção, sendo indicado para animais a partir de um ano de idade. Lembrando que para assegurar um tratamento adequado é imprescindível o procedimento ser realizado através de anestesia geral para obter bons resultados. Afinal, até para nós que entendemos o que está acontecendo, já deixa muito humano nervoso, que dirá nosso gatinho, né?

Há ainda alguns pacientes que durante a troca dos dentinhos de leite (dentes decíduos), algum pode acabar ficando preso no dente permanente e só vai sair através da retirada cirúrgica. Não retirar esse dente, vai facilitar o acúmulo de tártaro e inicia-se o processo da doença periodontal.

Às vezes, os tutores nem percebem e quando vai ao MV, tem-se o diagnóstico e então, a extração do dente e a profilaxia dentaria são indicados. Eu, particularmente, gosto muito de passar essas informações desde a consulta pediátrica, para já começar a condicionar esse gatinho, a uma rotina de escovação dos dentinhos.

Mas como faz para escovar os dentinhos do meu gato?

Quanto mais jovem manipularmos a boca do gatinho (até mesmo as patinhas pra facilitar o corte das unhas), mais fácil será a aceitação da escovação. Pode-se iniciar esse processo manipulando a boca dele, por exemplo, olhar os dentinhos sem usar escova de dentes nem nada, só com os dedos mesmo e sempre fazer o reforço positivo, como já comentei nos outros posts.

Conforme ele aceita, inicia-se o uso de uma gaze enrolada no dedo indicador com o uso de pasta dental de uso exclusivo para pets, NÃO pode usar pasta de humanos, ok? E assim, vai massageando suavemente todos os dentes. Após realizar a escovação, sempre dê muito carinho e alguma comidinha gostosa ou petisco, para fazer a associação positiva.

Na ideia deles é assim: se eu aceitar que escove meus dentes, depois vou ganhar alguma guloseima gostosa. (Sempre sem exageros, pessoal! Não vai entupir o gato de petisco, combinado? Risos).

Vocês vão perceber quando eles já estão mais condicionados para então, iniciar a nova fase: o uso da escova dental de tamanho adequado e específica para pets. Caso ele aceite só a gaze, não tem problema, o importante é realizar esse procedimento. Porque esse momento não deve causar estresse nem pro gato e nem pro humano.

Devo explicar que a escovação caseira ajudará a remover somente a placa bacteriana e não a formação do cálculo (tártaro) dentário. De tempos em tempos, seu gatinho deverá passar por uma profilaxia dentária com o MV.

Quem mora em grandes centros urbanos, tem acesso muito mais fácil em dentistas veterinários (sabiam que existe essa especialidade?) para ter um tratamento muito mais certinho, com acesso a tratamento de canal (igual em humanos) e radiografia odontológica, por exemplo. Sempre vale a pena procurar um especialista, se possível.

A alimentação também influencia em tudo isso que comentei até agora, se o alimento é úmido (sache) ou seco (ração em pellets), tamanho e formato do grão. Aqueles que precisa mais mastigação, faz com que haja mais atrito nos dentes, diminuindo a formação do cálculo. Há algumas rações que colocam substâncias que auxiliam no controle do tártaro. Existe o “Conselho Veterinário para Saúde Oral” (vohc.org) que você encontrará uma lista com produtos que tem eficácia comprovada por MV.

Agora vamos a nossa realidade, sabemos que a rotina e a falta de tempo das pessoas acabam dificultando que a atenção a saúde bucal dos pets seja adequada.  Por exemplo, aqui são 6 membros da gangue felina. Como a escovação não é frequente, acompanhamento veterinária e periódicas profilaxias dentárias são realizadas nos meus pets.

Aqui em casa, chegou a vez da Mona (figura 02) e da Juju (figura 03) fazerem a profilaxia dentária. As fotos abaixo foram feitas quando elas estavam anestesiadas. A Juju apesar de ser mais nova que a Mona – 4 e 8 anos, respectivamente, além de tártaro, já apresentava lesão de reabsorção em um pré-molar e  exposição de raiz do mesmo e por causa disso, foi preciso extrair esse dente. Enquanto que a Mona, apenas a limpeza foi suficiente. Pra vocês verem que nem por ser a mais nova, a boca da Juju era a mais saudável.

 



Figura 02. Foto do antes e depois da profilaxia dentária da Mona. No círculo, podemos ver a presença de uma grande placa de cálculo (tártaro). Não foi precisa realizar extração de dentes. Fonte: arquivo pessoal.

 



Figura 03. Foto do antes e depois da profilaxia dentária da Juju. No círculo, podemos ver a presença de uma lesão de reabsorção no dente pré-molar direito que precisou ser extraído. Fonte: arquivo pessoal.

 

Espero que tenha esclarecidos as duvidas e as perguntas que vocês nos enviaram pelo Instagram (@maisgatodoquenunca) e que tenha conseguido alertar sobre como não devemos deixar a saúde bucal deles de lado.

Grande abraço, Mai

LEIA MAIS

29 outubro 2020

VOCÊ SABE INTERPRETAR A LINGUAGEM CORPORAL DO SEU GATINHO?

 

Oi, pessoal! Hoje vou falar de um assunto que eu amo e apesar de parecer algo “bobo”, faz muita diferença tanto para os tutores quanto para os médicos veterinários, mas o mais importante é o quanto melhora a nossa relação com os gatos.


Já pararam pra pensar em como os felinos se comunicam entre eles e também, com a gente? Como eles demonstram emoções e sentimentos? Neste post, tentarei de forma resumida (só que não, sempre “falo demais” hehe) explicar a comunicação dos nossos tão amados gatinhos!

As pessoas costumam dizer que gatos são muito reservados e até chegam a usar a palavra: imprevisíveis. Mas será mesmo? Ou somos nós que ainda não sabemos interpretar os sinais que eles nos mostram? Os animais, em especial os felinos, se comunicam através da “linguagem corporal” e isso vem de muitos anos, quando ainda não eram domesticados.

Um animal sempre demonstra quando está começando a ficar desconfortável e se o incomodo persistir, ele pode partir para o ataque. Mas isso nunca vai acontecer sem antes mudar a expressão corporal.

 Devo lembrar que gatos não devem ser tratados como cães pequenos e essas duas espécies se expressam de forma totalmente diferente, ok? Mas então… o que devemos observar no nosso gatinho?

As principais formas que eles usarão para demonstrar seus sentimentos são:

Comunicação visual: mudança no tamanho das pupilas (a parte pretinha do olho)

Comunicação corporal: mudança na posição do corpo, posição das orelhas, movimento da cauda, pode dar tapas

Comunicação através de sons: rosnados, sibilos (os famosos “fuuusss”), vocalizando muito

Agora, vou explicar um pouquinho melhor sobre cada um, começando pelo mais fácil de notarmos e aprendermos a interpretar: a comunicação visual. Quando eles estão com medo ou agressivos, as pupilas estarão muito dilatas e os olhos bem abertos. Além disso, podem manter o olhar fixo e muito intenso no gato ou pessoa que está “incomodando”. Quando felizes, as pupilas estarão bem fininhas, manter o olhar relaxado e ainda, piscar lentamente.



Arquivo Pessoal – Thor durante atendimento. Percebam as pupilas bem dilatadas e olhos bem abertos


Mas lembrem que as pupilas podem ficar dilatadas também quando eles estão super “atacados” brincando. Ou ainda, em locais com pouca luminosidade para auxilia-los na visão noturna. Por isso, sempre levem em consideração qual tipo de situação eles se encontram.


Arquivo Pessoal – Pedrinho “atacado” caçando sua presa (brinquedinho), com as pupilas dilatadas, não totalmente devido a alta luminosidade do ambiente, orelhas voltadas para frente demonstrando atenção


Na comunicação corporal, conforme aumenta o medo ou agressividade, os pelos podem ficar eriçados, a cauda mexer cada vez mais rápido e bater com força. Além disso, os bigodinhos começam a ficar voltados pra frente, e como já foi mencionado, as orelhas vão virando para trás conforme vão se estressando até ficarem praticamente escondidas na nuca.

Quando as orelhas ficam voltadas pra frente, o gato está mostrando interesse. Quando assustados, eles também podem deixa-las planas ou achatadas, ou ainda voltadas para atrás, assim como quando irritados ou bravos.

Ainda sobre a expressão corporal, a cauda (rabinho) é um importante instrumento para eles demonstrarem os sentimentos. Quando ela está voltada para cima, “em pé”, seria como uma forma de cumprimentar o outro gato ou humano, como durante brincadeiras. Cauda baixa pode ser observadas em situações de brigas e quando entre as pernas, eles querem evitar o atrito. Dizem que quando eles vêm em nossa direção com o rabinho pra cima e “tremendo”, eles estão nos contando que estão muito felizes, ou ainda, demonstrar que nos amam. Fofo demais,né?

A nossa gata Mona, pra quem ainda não conhece, ama passear e andar de bicicleta, durante os passeios, ela vem em nossa direção o tempo toda com o rabinho tremendo, numa forma de agradecer e mostrar que está adorando. Pra quem quiser conhecer, o instagram dela é: @_mona_diva_

Quando chegam no extremo da agressividade ou quando são irascíveis ou ferais, rosnados e sibilos (famosos “fusss”) são comuns, além de tapas expondo as unhas. A língua tende a ficar curvada em forma de “C” e as orelhas totalmente escondidas para trás (uma forma de proteção, em caso de realmente acontecer o combate).



Arquivo Pessoal – Percebam as pupilas dilatadas, orelhas para o lado se direcionando para virar para trás, bigodes para frente, língua curvada em “C” e sibilo (sei dessa parte porque eu que fotografei). OBS.: Sim, é a Mona, minha gata. Ela tem uma personalidade bem forte e infelizmente, acabou sendo traumatizada quando adolescente, se tornando agressiva a quase irascível durante atendimento ou internação.

Além de todos esses sinais, temos o ronrom. Muitos tutores não sabem, mas nem sempre o ronronar significa felicidade. Em situações desconfortáveis (como por ex. sentindo dor), eles também podem ligar o motorzinho. Neste caso, eles vão utilizar esta ferramenta como forma de ajudar a se acalmar e se confortar. Muito comum durante períodos de internação.

Para facilitar a absorção de todo o conteúdo, temos este esquema:




Fonte para ambas as fotos:
LITTLE, Susan E. O gato: medicina interna. 1. ed. Rio de Janeiro : Roca, 2016

Existem situações que eles podem agir de forma mais agressiva e repentina, sem motivo aparente. Esse tipo de acontecimento é um forte indicativo de que algo está errado e precisa ser investigado, podendo até ser um sinal de dor. Por isso, sempre fiquem atentos a qualquer sinal de mudanças no comportamento. Sempre procure seu médico veterinário de confiança com urgência!

Este assunto é muito extenso, tentei passar as expressões corporais mais comuns. Espero que tenham gostado e o principal e que sempre foi o meu objetivo, que tenha ficado fácil de aprender e utilizar no dia a dia para fortalecer ainda mais a relação entre você e seu gatinho!

Beijos, Mai

LEIA MAIS

18 junho 2020

O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE FIV E FELV! – PARTE 2

Este post é a continuação do anterior.


Como já comentei anteriormente, este vírus pertencente à família dos retrovírus, acomete exclusivamente felinos e uma vez que o gatinho se contamine, não há cura.

Como meu gatinho se contamina?

Enquanto a transmissão da FIV ocorre mais em brigas (mordeduras), a FeLV é mais em gatinhos que se dão bem – mas isso não é via de regra. E por que em gatinhos sociáveis?

Como já comentei anteriormente, este vírus pertencente à família dos retrovírus, acomete exclusivamente felinos e uma vez que o gatinho se contamine, não há cura.

Como meu gatinho se contamina?

Enquanto a transmissão da FIV ocorre mais em brigas (mordeduras), a FeLV é mais em gatinhos que se dão bem – mas isso não é via de regra. E por que em gatinhos sociáveis?

A saliva é a forma mais eficiente de transmissão e quando há boa interação social entre os felinos, eles costumam “dar banho” um no outro, aumentando a chance de contágio, mas mordidas também contaminam ok?

A disseminação também ocorre pelos potinhos de água e comida, e caixas de areia. Além disso, a mãe pode passar durante a gravidez (placenta), na amamentação e pelo hábito de lamber os filhotes.

Secreções nasais, fezes, urina, leite, agulhas e instrumentos contaminados (fômites), e transfusão de sangue também podem transmitir o vírus.

Quanto mais jovem um gatinho se contaminar, menor a expectativa de vida! Um gato que se contaminou ainda filhote, vive em média dois anos de idade.

Quais sintomas meu gatinho pode ter?

Alguns gatinhos podem demorar meses a anos até apresentar algum sintoma. Porém, assim como na FIV, os sintomas são bem inespecíficos podendo apresentar apatia, diminuição do apetite ou parar de comer, perda de peso e aparecimento de ínguas.

Conforme o avanço da doença, podem surgir tumores, leucemia, linfomas, anemia persistente, doenças nos olhos e pele, diarreia, alterações neurológicas, etc. Além disso, doenças oportunistas podem aparecer, pois a imunidade também é comprometida.

Como é o tratamento?

As recomendações básicas são basicamente as mesmas que na FIV. Manter o gatinho o mais saudável possível, com alimentação de boa qualidade, vacinação, vermífugos e antipulgas em dia, além de check ups frequentes com o médico veterinário de confiança.

Quando o gatinho começa a apresentar os sintomas, há variações de tratamentos entre eles, alguns vão necessitar de transfusões sanguíneas, outros de quimioterapia, estimulantes de apetite e imunidade, etc.

Como cada caso é único, cabe ao médico estabelecer a melhor conduta para cada paciente. Os testes para descobrir se seu gatinho possui o vírus são os mesmos que os usados para a FIV – snap test e PCR.

Considerações Gerais

É muito importante lembrarmos da nossa responsabilidade como tutores de animais, sempre frisarei isso aqui no blog!

Um gatinho que possui acesso à rua vive em média 6 a 8 anos, enquanto os que possuem criação indoor, ou seja, vivem apenas dentro de casa, a expectativa de vida aumenta para mais de 12 anos (já atendi uma gatinha de 20 anos!).

Gatos de vida livre estão sempre expostos aos perigos da rua: atropelamentos, intoxicações, maus tratos, sem falar das doenças – incluindo FIV e FeLV.

Caso seu gato possua FIV e/ou FeLV ou outra doença infecciosa, como tutor, você também tem a responsabilidade de manter este animal longe das ruas, tanto pela segurança dele quanto para diminuir a taxa de disseminação dessas doenças.

Sem falar que se o gato não é infectado, vocês também tem a responsabilidade de mantê-los em casa, para evitar a contaminação!

E quando um dos meus gatinhos deu positivo no exame?

Quando um gatinho é positivo para FIV e/ou FeLV, a família deve se conscientizar sobre alguns pontos. As duas doenças diminuem a expectativa de vida do animal, principalmente a FeLV.

Mas isso não significa que este gato não possa viver com qualidade de vida até que a doença se manifeste. Por isso a importância das visitas regulares ao médico veterinário.

Além disso, o ideal é que todos os gatos da casa sejam testados, pois nem sempre todos serão positivos. Após todos terem feito o teste, deve-se definir qual a vacina mais adequada para cada um e decidir se os gatos positivos serão separados dos negativos (por exemplo, cômodos diferentes da casa).

Importante lembrar que a vacina “contra” FeLV (quíntupla) protege em torno de 98%!

Sempre que adotar ou comprar um gatinho, deve-se fazer o teste diagnóstico antes de reunir com os demais animais da casa.

O ideal é fazer um período de quarentena (separado dos demais) de pelo menos 30 dias para a FIV e 60 dias para a FeLV para aí sim, realizar o exame, essa é indicação é por causa do tempo de incubação do vírus e até aparecer no exame; caso contrário, poderá ter um resultado que costumamos chamar de “falso negativo”.

Quero frisar que embora as duas doenças sejam graves, é possível sim dar uma boa qualidade de vida para este gato.

Infelizmente, muitas pessoas acham que gatinhos positivos estão condenados e por isso, muitos deles ficam aguardando para adoção e acabam ficando em abrigos até o fim da vida. Pensem neles com carinho quando for adotar um novo amigo!

Sei que esses dois posts ficaram bem extensos, mas é impossível não ficar visto a importância destas duas doenças.

Espero que tenha ajudado a sanar as dúvidas de vocês e principalmente, que tenha conseguido conscientizar os tutores, tanto sobre a importância da criação indoor e essas duas doenças, quanto sobre as adoções de gatinhos positivos – embora tenha falado brevemente.

 Abraço, Mai.

LEIA MAIS