10 setembro 2021

Tudo o que você precisa saber sobre Enriquecimento Ambiental ou Gatificação

 

Quando pensamos na domesticação dos animais, os gatos foram domesticados a bem menos tempo do que comparado aos cães. Acredita-se que tudo começou com os egípcios, há cerca de 3600 anos. No Brasil, 14,1 milhões de lares possuem pelo menos um gatinho em casa, sendo que norte e nordeste são as regiões com maior número de felinos e sudeste e centro-oeste, menor número (dados de 2019). Com isso, sabemos que o instinto selvagem ainda está muito presente na vida dos nossos felinos, já que a domesticação foi mais recente.

Atualmente, muito se fala em enriquecimento ambiental (EA) ou gatificação, mas o que seria isso? Existem várias formas de enriquecermos o ambiente para os nossos bichanos e vou falar um pouquinho sobre isso pra vocês.

Enriquecer o ambiente onde seu gato vive significa melhorar a qualidade de vida, diminuir a chance de problemas comportamentais, além de mantê-los ativos e saudáveis, evitando por exemplo, obesidade e outras doenças causadas pelo sedentarismo. Manter o gato interessado, desafiá-lo e motivá-lo com novidades e complexibilidade também são objetivos do EA.

Foto 1: arquivo pessoal. Mona em uma prateleira da linha MGQN de gatificação.

Estudos mostram que ambientes enriquecidos contribuem para a diminuição de úlceras gástricas e distúrbios do trato urinário. Gatinhos que vivem mais estressados, assim como nos humanos, aumentam a chance de doenças, como distúrbios dermatológicos, respiratórios e cardíacos, problemas comportamentais e diminuição da expectativa de vida.

Outro importante benefício do EA é ajudar a retardar a disfunção cognitiva felina nos gatinhos mais velhos. Estudos feitos com cães e humanos, mostram que o aprendizado continuo, exercícios físicos e dieta adequada foram benéficos e isso se aplica aos gatos também.

Existem diversos tipos de EA, são eles: EA físico, alimentar, sensorial, cognitivo e social. Vou explicar um pouquinho de cada um deles pra vocês.

O EA alimentar pode ser feito através da introdução de alimentos diferentes, como por exemplo, sachês de sabores variados, podendo ser aquecidos para realçar mais o sabor e atrair ainda mais o paladar do seu gatinho. Além disso, a utilização de comedouros/bebedouros elevados (foto 2) e fontes de água também fazem parte desse tipo de enriquecimento.

Foto 2: comedouro elevado Super Cat encontrado em nosso site.



Ainda podemos acrescentar a utilização de alimento escondido pelo ambiente ou em brinquedos como porta petiscos (foto 3), fazendo com que ocorra estimulo mental e físico, esse tipo de brincadeira pode ser incluído também no EA cognitivo, que nada mais é que jogos e brincadeiras onde você pode esconder o petisco de forma que seu gato precise descobrir como faz para tirá-lo. Ainda no tipo cognitivo, temos por exemplo, brincadeiras com laser, entre outras.

Foto 3: Porta petisco encontrado em nosso site.


O EA sensorial inclui brinquedos com diferentes sons, texturas, cheiros e gostos. Os arranhadores são um dos mais populares, mas já há muitas opções no mercado pet atualmente, inclusive temos uma categoria específica em nosso site com algumas opções de EA. Ainda no EA sensorial, podemos falar sobre os feromônios sintéticos como o Feliway® (Ceva), que auxiliam na redução do estresse e melhora a socialização dos gatinhos.

Temos também o EA social que são brincadeiras entre gatos ou com outras espécies, como por exemplo, com cães e com os humanos. Sempre de forma saudável, principalmente na hora da introdução de novos amiguinhos.

Foto 4: Ricota, Pedrinho e Juju durante interação social.

 O EA físico é o mais “famoso” atualmente, chamado também de gatificação.

Os gatos são arborícolas, isso quer dizer que são animais que gostam de viver em árvores, ou seja, amam estar nas alturas. Não é à toa que eles estão sempre por cima das coisas e escalando tudo o que é possível, né? Por isso, é tão importante termos EA físico de forma vertical – gatificação vertical. Esse tipo de EA é composto de prateleiras, nichos e arranhadores presos nas paredes.

Foto 5: Ricota aproveitando um dos degraus da linha MGQN.

Arranhar é um comportamento natural dos gatos e serve para manter as unhas limpas, e afiadas, além de ajudar a demarcar território. Por isso, disponibilizar arranhadores para que seu gatinho utilize é essencial, além de evitar que eles estraguem a mobília da casa. O ideal é ter pelo menos um arranhador no cômodo mais frequentado pelos membros da família, a fim de deixa-lo mais atraente do que as mobílias da casa.

Quanto mais gatos, mais arranhadores e brinquedos disponíveis você deve ter. Além disso, cada gato parece gostar de um tipo de arranhador (vertical, horizontal, em rampa), então, é importante descobrir qual modelo é o favorito do seu bichano.

Foto 6: Mona usando um arranhador.

Um gatinho passa aproximadamente 3h por dia descansando e 8h dormindo durante o dia, para isso, devemos fornecer locais confortáveis e seguros para que eles possam dormir e repousar. Por isso, no EA físico podemos incluir toquinhas, caminhas, esconderijos no chão, não apenas de “forma vertical”.


Quanto maior o número de gatos na casa, mais opções de EA devemos fornecer a eles!


Não podemos esquecer da janela, quem é que não tem um gatinho que ama fuxicar os vizinhos na janela? Por isso, telas de proteção não podem ser esquecidas! Hoje em dia, temos diversas caminhas com opção de adaptar e colocar na janela, como a da foto abaixo:

Foto 7: Ricota, Pedrinho e Mona aproveitando a caminha de janela Space Cat.

Com tudo isso que foi falado, percebemos que o enriquecimento ambiental já é uma realidade na maioria das casas, tendo como o principal objetivo melhorar a qualidade e expectativa de vida dos nossos gatinhos, especialmente com a popularização da “criação indoor”, ou seja, gatinhos que vivem apenas dentro de casa. Espero que vocês tenham gostado e aproveitem para conhecer toda a nossa completa linha MGQN de gatificação para seu lar na categoria enriquecimento ambiental!

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18 agosto 2021

O ronronar dos gatos

 

O ronronar dos gatos foi definido como um som suave parecido com o som de “prr” que ocorre através de vibrações do trato respiratório superior de forma rítmica com a respiração, sendo possível sentir essa vibração em diversas partes do corpo do animal.

              A origem deste som ainda não foi bem elucidada e segue intrigando estudiosos e tutores, mas sabe-se que vários felídeos ronronam, incluindo guepardos e pumas. Já os leões e tigres, possuem a laringe diferente especializada para outro som: o rugido.

Alguns estudos indicam que o ronrom vem da vibração do diafragma e movimentos repetitivos de abrir e fechar a glote, próximo a laringe, em uma frequência que varia de 20 a 140Hz. Sabe-se que não há mudanças com o passar da idade do animal, mas a amplitude e o volume do ronrom variam no próprio indivíduo.

Os filhotes começam a ronronar desde muito cedo, com poucos dias de idade, acredita-se que seja para chamar a atenção da mãe e para facilitar a amamentação. Embora a maioria dos gatos ronrone, nem todos fazem esse som depois de adultos, principalmente se não foram estimulados quando bebês. Mas não se preocupe, isso não significa que ele não seja um gatinho feliz e carinhoso.

Geralmente, os felinos ronronam quando estão felizes e confortáveis, porém, é possível observar esse comportamento quando estão doentes, assustados ou em situações estressantes. É comum acontecer durante atendimento veterinário e isso acaba dificultando a auscultação cardiopulmonar e consequentemente, a identificação de arritmias e sopros cardíacos, por exemplo. Durante períodos de internação, é comum os gatinhos ronronarem, parece ser uma forma de eles mesmos se acalmarem e se sentirem mais seguros. Acredita-se também, que esse som seja usado para comunicação.

Existem algumas formas de fazer esse som parar durante a consulta veterinária: abrir uma torneira próximo ao gato, soprar a orelha gentilmente, espirrar algum aerossol próximo ao gato ou ainda, deixar o gato cheirar um pouco de álcool em um algodão, mas isso nem sempre funciona com todos os pacientes e só deve ser feito quando vai realizar a ausculta cardiopulmonar.

Existem muitos mitos em relação aos gatos e um deles é que o ronronar pudesse “passar” asma para os humanos, o que é uma grande mentira visto o quanto esse som traz benefícios para os tutores.

Estudos apontam que o ronronar possui propriedades calmantes nos humanos, auxiliando na liberação de endorfinas (o hormônio da felicidade), gerando sensação de bem-estar e reduzindo dores. Inclusive, essas vibrações do ronrom atravessam a barriga e a placenta de mulheres grávidas, fazendo com que os benefícios cheguem até o bebê.

 


Alguns benefícios do ronrom nos tutores:

- Diminuição do estresse

- Diminuição da pressão arterial

- Diminuição em até 40% do risco de ataque cardíaco

- Auxilia na cicatrização de machucados (principalmente musculares)

- Melhora a dispneia

- Melhora a saúde dos ossos

- Desperta bons sentimentos, como empatia


Gostaram de saber disso? Então, envie esse post para aquele amigo que também é gateiro!

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02 agosto 2021

Agosto: mês da conscientização da Raiva

 

            Oi, pessoal! O assunto da vez é um dos mais importantes em relação a doenças em felinos que envolvem saúde pública e que mais uma vez vou frisar: nós como tutores e cidadãos, temos obrigação de manter a vacinação dos nossos pets em dia!

              

            Então, o tema de hoje é: o vírus da RAIVA!


Curiosidade: Você sabia que agosto é conhecido como o mês do “cachorro louco”? Isso porque nesta época geralmente as cadelas entram no cio, com isso, os machos acabam “ficando loucos”, brigando entre si para decidir quem irá acasalar. Caso um deles esteja infectado com o vírus, poderá contaminar os demais através da saliva, disseminando a doença. Por isso, agosto é conhecido como o mês da conscientização da raiva.

         

            Bom, a ideia de falar sobre esse tema foi por um episódio ocorrido aqui em casa. Encontramos o Pedrinho meio escondido brincando com algo, na hora, não dei muita bola. Mostrei pro Fernando e ele foi lá espiar. Pra nossa surpresa, o brinquedo era um morcego que já havia sido abatido pela gangue, ele estava com as asas mordidas, cheio de marcas de dentinhos (foto 01). Pensa no susto! E foi assim que percebi a importância de esclarecer e informar sobre essa doença, visto que muita gente estava com dúvidas no direct do Instagram. 


 Foto 01: Arquivo pessoal. Morcego com marca de mordidas dos gatos.


              O vírus da Raiva é 99,9% letal, atinge todos os mamíferos (cães, gatos, bois, cavalos, morcegos, raposas, etc), incluindo os seres humanos! É uma doença com caráter zoonótico, ou seja, pode ser transmitida dos animais para as pessoas e vice-versa.


A forma mais comum de transmissão é através da mordida ou arranhões na pele íntegra (saudável) e também lambedura. Os sinais clínicos nos gatos infectados podem ser discretos, como mancar de alguma patinha, aumento da vocalização com mudanças na voz, anorexia, letargia, fraqueza, tremores, hidrofobia (medo de água), vômitos e agressividade. Nos cães é semelhante, além de ocorrer salivação excessiva.


E em relação aos animais silvestres, como podemos desconfiar que estejam infectados? Bom, apesar de alguns aparentarem estar saudáveis, o que é mais fácil perceber é a mudança de comportamento, como por exemplo, perder o medo e se aproximar dos humanos. Devo lembrar que nem todos os animais selvagens estão doentes ou são portadores do vírus, ok?


Por exemplo, o gambá (foto 02) que tem hábitos noturnos e começa aparecer durante o dia (falando de forma bem direta, claro que não é só isso que devemos levar em consideração). Ou então, um morcego, que também tem hábito noturno, é encontrado em locais e horas não habituais e principalmente: desnorteados - não são capazes de desviar obstáculos. Lembrando que isso não é regra! Por favor, não se assustem e saiam sacrificando estes animais incríveis que possuem um importante papel na natureza, espalhando sementes e ajudando no ecossistema das florestas.

 

Foto 02: fonte internet. Gambá (Didelphis marsupialis)


Mudanças bruscas de comportamento dos pets pode ser um sinal de alerta. Por exemplo, quando um animal que sempre foi calmo e se torna super agressivo repentinamente. Nestes casos, ele deverá passar por avaliação médica e se necessário, ser encaminhado para quarentena (isolado em observação) por pelo menos 10 dias. Nessa situação, só poderá ser vacinado após este período. Se caso durante esse intervalo ele começar a apresentar sinais compatíveis com a doença, infelizmente a recomendação é a eutanásia.


Lendo um artigo americano, descobri que lá, caso o tutor negue a eutanásia, o pet deve permanecer durante seis meses em quarentena absoluta, pois neste período pode apresentar os sintomas se ele estiver incubando o vírus. No Brasil, não é permitido esta conduta, ou seja, o animal deverá ser sacrificado. Todos esses animais devem ir para necropsia para comprovar (ou não) a presença do vírus.


 A raiva é uma doença de notificação obrigatória ou compulsória, isso significa que todos os profissionais da saúde são obrigados por lei a notificar os casos para órgãos públicos, como a vigilância epidemiológica.


              Então, a recomendação para a população é: ao encontrar um animal silvestre morto próximo a sua casa, entre em contato com a vigilância sanitária da sua cidade. Não encoste no animal, eles irão apanhá-lo e levá-lo para necropsia e coleta de material a fim de pesquisar a presença do vírus. Se o resultado for positivo, a vigilância deverá implementar o chamado “plano de contingência”, realizando a vacinação em massa de pets daquela região, entre outras ações.


              Como sempre, prevenir é melhor que remediar! Por isso, mantenha a vacinação do seu animal de estimação em dia! Você estará protegendo sua família, seus pets e a comunidade ao seu redor (e isto vale para qualquer vacina, ok?).


 Algumas cidades realizam campanhas de vacinação contra raiva gratuitamente, com o objetivo de aumentar a taxa de proteção da população animal e consequentemente, a humana. Apenas desta forma é possível manter a baixa incidência do vírus naquela região.


              A vacinação deve ser feita inclusive em gatos com criação indoor (criados apenas dentro de casa). Durante meu estágio na vigilância sanitária em Porto Alegre/RS, além de relatos de tutores durante atendimentos, não era incomum ocorrer chamados de pessoas que encontraram morcegos dentro de casa/apartamento, inclusive teve um caso em que os pais acharam um na cama do filho de 6 anos, mesmo tendo tela de proteção em todas as janelas.


              Nos últimos anos, nós, médicos veterinários (MV), temos percebido a diminuição da vacinação antirrábica nos nossos pacientes e isso é muito grave!


As pessoas criaram uma falsa impressão de que a raiva urbana (nas cidades) está controlada, isso porque até então, os pets estavam sendo vacinados corretamente. Porém, a raiva rural (no campo), nunca esteve controlada, afinal, não há como restringir o contato de animais domésticos com a fauna silvestres da região, fazendo com que volte a aumentar a incidência da doença nas cidades indiretamente.


              Com toda as mudanças negativas acontecendo no nosso meio ambiente, os animais selvagens acabam vindo para as cidades em busca de alimento, aumentando a interação com os humanos. Como o exemplo que falei anteriormente: morcegos entrando nos aptos.


              Logicamente, tudo isso sobrecarrega nosso sistema de saúde. Confesso que não sei como está a situação atualmente, mas ficamos um bom tempo sem vacina para os humanos. Apesar de ter me vacinado um pouco antes dessa época, não consegui tomar o reforço anual. Para nós, médicos veterinários, atuando na linha de frente, estamos sempre vulneráveis e é muito sério não poder manter nossa vacinação em dia.


Onde quero chegar com esta informação? Vocês, tutores, mantendo os pets vacinados, ajudam a proteger a todos, incluindo os profissionais da saúde. Já tinham pensado neste importante papel de vocês no “meio disso tudo”?


Agora apenas uma informação extra em relação como a vigilância sanitária age com as pessoas que sofreram algum acidente com animal suspeito. Esses pacientes precisam tomar todo o protocolo vacinal com a antirrábica (5 doses no total), além de precisar aplicar soro antirrábico ao redor de todo o machucado (arranhadura ou mordedura). Pode ocorrer variações no protocolo, coloquei de modo geral apenas como curiosidade para vocês.


Procurei alguns casos mais atuais de raiva em humanos, percebam que a pessoa sobrevivente ficou com graves sequelas (foto 05). A outra paciente acabou indo a óbito poucos dias após o contágio (foto 03).

 


Foto 03. Fonte: site G1. Mulher paraibana veio a óbito 20 dias após caso de raiva ser confirmado.




Foto 04. Fonte: site G1. Paciente recebeu alta, mas ficou com sequelas.


Foto 05. Fonte: internet Médicos sem fronteiras. Surto de raiva na República do Congo.


              Espero que tenham gostado das informações do post de hoje, meu maior objetivo foi instruir e passar mais informações confiáveis a respeito dessa doença e abrir os olhos sobre a vacinação dos nossos pets. Lembrem-se: tutores possuem um papel importantíssimo na saúde pública! Pensem nisso! Abraço, Mai.


             




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20 julho 2021

Sabia que gatos podem doar sangue?


Você sabia que os pets também podem doar sangue? Caso já saiba, o seu gatinho já doou sangue alguma vez?


              Assim como nos humanos, os animais também podem doar sangue. Existem diversos motivos para que um gatinho precise receber uma transfusão sanguínea, entre eles estão a anemia, doenças virais como o vírus da leucemia felina (FeLV), vírus da imunodeficiência felina (FIV – conhecida também como AIDS felina), micoplasmose (doença “da pulga”), acidentes com grande perda de sangue, entre outros.


              Os tutores do possível doador de sangue precisam ser indagados a respeito da idade, sexo, tipo de criação (indoor/domiciliado ou com acesso a rua), histórico de doenças, se já recebeu transfusão sanguínea, data da última doação de sangue, presença de outros animais na casa, etc. Além disso, o animal passará por exame físico minucioso, e ainda, exames de sangue para check up, incluindo teste de FIV/FeLV.


              Em resumo, para se tornar um doador, os gatos precisam atender a alguns critérios, são eles:

  • - Estar saudável
  • - Ser dócil (facilita o manejo)
  • - Ter entre 1 e 8 anos de idade
  • - Pesar mais de 4kg
  • - Ser negativo para FIV/FeLV
  • - Vacinação e vermífugo em dia
  • - Estar livre de ectoparasitas (pulgas e carrapatos)
  • - Ser criado domiciliado
  • - Nunca ter recebido transfusão sanguínea

 

Caso seu gatinho se encaixe nesses critérios e você tenha interesse que ele se torne um doador, converse com seu médico veterinário de confiança, pois a necessidade de doadores de sangue na rotina é mais comum do que a maioria das pessoas pensa.


O objetivo desse procedimento é reestabelecer o estado de saúde do paciente. Embora pareça ser algo simples, deve ser bem planejado para a segurança do receptor e do doador de sangue. Por isso, antes de realizar a transfusão, é realizado um teste de compatibilidade ou a tipagem sanguínea dos dois gatos a fim de evitar reações transfusionais.


Os animais também possuem tipos sanguíneos, assim como nos humanos, nos gatos temos os tipos: A, B e o raro AB. Embora a nomenclatura seja mesma, não é possível que ocorra doação de sangue entre espécies diferentes.


Para realizar o procedimento, o gato deve ser sedado, diminuindo o estresse do animal e permitindo uma coleta adequada, facilitando o procedimento. O local de preferência é na veia jugular (pescoço), já que este vaso sanguíneo tem grande calibre. Tanto durante quanto depois da coleta, o doador deve ser monitorado até que os efeitos sedativos passem. Em relação ao intervalo entre as doações, alguns autores relatam que é seguro realizar com 3 a 4 semanas, mas geralmente, recomenda-se de 2 a 3 meses.


Grandes centros já possuem bancos de sangue, mas é mais comum ter amostras de cães do que de gatos, isso porque a forma que deve ser realizada a coleta e armazenamento nos felinos é mais sensível que nos caninos, sendo mais susceptíveis a contaminação do sangue, por exemplo.


A importância da doação de sangue independe da espécie, seja em humanos ou animais. Espero que tenha conseguido tirar suas dúvidas e também, encorajar vocês a doarem um pouquinho de “vida” para quem precisa! Como já diz o slogan: “doe sangue, doe vida!”.

Foto: arquivo pessoal. 
Em memória de Yuri, doador de sangue. 
Foto autorizada pelo tutor.

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21 junho 2021

Inverno: será que meu gatinho está com frio?

Hoje inicia oficialmente o inverno! E principalmente para nós, aqui do Sul onde as temperaturas caem bastante, começa a preocupação... será que meu gatinho está com frio?

Embora a temperatura corporal dos gatos seja mais elevada que a nossa (aproximadamente de 38 – 39,4ᵒC), eles também correm o risco de sofrer de hipotermia (quando a temperatura corporal cai drasticamente).

Uma das formas de perceber se o seu bichano está com frio é encostando nas orelhas e nas patinhas deles que ficarão mais geladinhas. Caso esteja assim, é importante que você forneça um local aquecido para ele se abrigar, com uma toquinha/caminha ou até mesmo uma caixa de papelão com cobertor.

Os cuidados devem ser redobrados com filhotes e idosos, pois esses são mais sensíveis que os demais e podem ter hipotermia mais facilmente, já que a regulação térmica deles não é tão eficiente como nos animais adultos.

Uma dica! Sabe aquela caixa de transporte que você costuma deixar escondida lá em cima do armário? Por que não colocar uns cobertorzinhos e fazer uma toquinha aconchegante pro seu gato? Isso também é uma forma de contribuir com a “gatificação” da sua casa!

Os gatos gostam de procurar locais quentinhos para se esconder, por isso, vale lembrar que nessa época é quando geralmente ocorrem problemas de queimaduras das patinhas ou corpo, ao se afugentarem do frio dentro do motor do carro, por exemplo. Por isso, cuidado redobrado! Dê uma buzinada, antes de ligar o motor, não custa nada. Aah! Acidentes com lareiras e fogão a lenha também são comuns, infelizmente. Fique atento!

Durante o inverno, assim como nos humanos, aumentam a frequência das doenças respiratórias, como a rinotraqueite (“gripe dos gatos”), bronquite e asma, por exemplo. Então, fique alerta caso perceba sintomas como tosse, espirros, secreção nos olhos e febre. Se o seu bichinho apresentar algum desses sintomas, procure um médico veterinário de confiança.

Banhos em gatos já não são recomendados em nenhuma estação do ano, que dirá no inverno, por isso evite ao máximo! Exceto em situações em que seu pet precise de banhos terapêuticos por indicação médica.

Outra forma de manter seu gatinho aquecido é com roupinhas. Alguns gatos se adaptam bem, geralmente aqueles que foram acostumados desde filhote, mas não significa que um gato já adulto não possa se habituar. Caso opte pelo uso de roupas, não deixe durante o dia todo, pois o uso prolongado pode fazer nós nos pelos e até causar dermatites. Vale lembrar que também é indicado lavar a roupinha com frequência, mas sem abusar dos produtos de limpeza e principalmente, os perfumados, pois o nariz dos felinos é sensível.

Há ainda, algumas raças como os Sphynx que precisam usá-las, pois eles praticamente não possuem pelos pelo corpo e sentem muito mais frio. Conversei com a tutora dos Sphynx Sebastian e Donatella (Instagram @sebastian.sphynx), Carlla Firmino Filus, sobre a experiência dela com essa raça super exótica, eles também são aqui do sul, Curitiba – PR, quem conhece sabe como é fria essa cidade. Então, vamos lá!


Maiara: - Como foi para acostumar eles a usarem roupinha?


Carlla: Eles já foram acostumados no gatil, desde bebezinhos, então não tivemos problemas.


Maiara: - Como eles demonstram ou como você percebe que eles estão com frio?


Carlla: O Sebastian tem muito frio, qualquer ventinho já começa a tremer. Por isso, sempre deixo várias cobertas espalhadas em todos os cômodos da casa. Assim, mesmo se eu não estiver e eles sentirem frio, poderão se aquecer. Não espero eles demonstrarem frio, quando a temperatura baixa, já coloco roupinha e eles mesmos já ficam mais nas cobertinhas. Mas, se eu perceber que as patinhas e as orelhas estão geladinhas, pego no colo para esquentar. Em dias muito frios, ligo o aquecedor também.


Maiara: - Eles já tiveram alguma complicação ou doença devido ao frio?


Carlla: O Sebastian tem asma. A causa não é especificamente o frio, porém, se ele ficar exposto ao frio, as crises podem sim, ser agravadas.


Maiara: - Vocês moram numa cidade fria, quais cuidados você tem com eles, além das roupinhas?


Carlla: Apesar de morarmos em Curitiba, nossa casa é bem quentinha e bate sol o dia todo. Coloco caminhas e cobertinhas deles nos locais mais quentinhos pra eles ficarem. Sempre tem cobertas espalhadas por toda a casa e o aquecedor também. À noite, deixo ligo no quarto deles, antes deles irem dormir (não deixo ligado a noite toda por recomendação da pneumologista deles, porque também pode agravar as crises de asma do Sebastian).

 


Foto do Instagram do Sebastian e da Donatella, @sebastian.sphynx

Foto: Sebastian


Foto: Donatella

              Quero agradecer à Carlla por ter tirado um tempinho para nos responder! Sou fã do Sebastian e da Donatella desde o tempo do Instagram da Mona Diva. (Aliás, sigam eles lá: @sebastian.sphynx). Grande abraço pra toda a família!

E aí, pessoal! Gostaram de saber um pouquinho mais dos cuidados com nossos gatinhos nessa estação que começa hoje? Espero que sim!

Agora cá entre nós... é ou não é gostoso demais dormir junto com nossos pets nos dias frios?

Abraço, Mai.        







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